O Seminário Transmuta-se em Crônica...

No dia 26, finalmente, a já esperada visita chega pelos portões imperiais do Colégio Militar: em rostos mil, Machado entra sem muita formalidade – em prosa e verso. Bom pra nós, seres com fome casmurra do velho, que vivemos esses 3 dias alimentados por decodificações e debates repletos de literariedade, matéria que voa além das entrelinhas sem deixar que a magia destas se perca. E, pra que a carne não inveje a fartura cultural, servidos por guloseimas concretas que equilibram a plenitude da mente e do corpo.

A beleza do auditório amplia a viagem atemporal. Machado senta ao nosso lado, ironizando sua foto embranquecida e sempre se encaixando bem no contexto, qualquer que seja o ambiente. Passeamos com intimidade por seu espaço físico e psicológico, conversando com os segredos da ABL e do Real Gabinete, questionando mistérios famosos enquanto surgem tantos outros. Um fato é certo: cada vez mais apaixonados por Capitu e prontos pra lhe dar a palavra.

E, de repente, o alienista parece ainda mais esférico. E, não mais que de repente (e sem medalhões), brilham nossos olhos entregues ao reviver histórias que um dia pensamos, ingênuos, já termos tocado o fundo. Doutores e mestres, alunos e professores, conhecemos e reconhecemos a Poesia-flor do Mestre, que borboleta exaltando a musa-mor Carolina e algumas outras, mas revelando também suas falenas, tão complexas e fascinantes quanto Bentinho e Brás.

Após nossa nova missa do galo, Conceição tira o véu sem reticências para sentar-se à mesa das releituras, na sombra fresca da imortalidade machadiana, com a sinceridade já conhecida dos defuntos - autores ou não. Diante do espetáculo único, cá cumprimos o papel de amantes, procurando descobrir o mundo de Machado, povoando-o sem desvirtuá-lo do apelido que recebeu: bruxo. Abençoados somos nós, que vivemos com ardor sua magia; certamente sairemos desse auditório um pouco mais sábios a respeito dos seus feitiços, e infinitamente mais curiosos.

Para encerrar, abraço Machadinho, atando as pontas do Tempo e desse belíssimo seminário. Parabéns aos organizadores e palestrantes e, em nome de todos, agradeço o banquete intelectual.

(Aluna Carolina Turboli – Turma Humanas I – 2008).


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